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Entre as Árvores Amazônicas

Brasil, Pará, Alter do Chão

Impressionado com o tronco de Samaúma, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Impressionado com o tronco de Samaúma, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Hoje foi dia de FLONA. Esse é o nome que se dá para as Florestas Nacionais, unidades de conservação federal em áreas de floresta espalhadas pelo Brasil. Diferentemente dos Parques Nacionais, as FLONAS admitem que pequenas comunidades continuem vivendo em seu interior, desde que respeitadas algumas regras. Algumas são abertas à visitação, mas uma autorização é sempre necessária. Elas estão mais voltadas à pesquisa científica e o turismo só é incentivado como um meio à mais para o sustento da população das comunidades locais.

Admirado com uma Seringueira, 'sangrada' continuamente há três gerações, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Admirado com uma Seringueira, "sangrada" continuamente há três gerações, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Umas das mais importantes FLONAS do Brasil é a FLONA-Santarém, uma grande área de floresta amazônica ao sul de Alter do Chão, delimitada pelo rio Tapajós, à oeste, e a BR-163 (Cuiabá-Santarém) à leste. Uma enorme riqueza de flora e fauna está ali preservada, sendo estudada continuamente por dezenas de pesquisadores. As comunidades locais vivem do extrativismo vegetal, turismo e pequenas roças, além do artesanato. Apesar da fauna variada, incluindo répteis, aves e grandes mamíferos como veados e onças, a grande estrela da unidade é a mata primária amazônica, incluindo diversos tipos de árvores centenárias de grande porte como Piquiás, Guarubas, Tauaris e, as maiores entre elas, as Samaúmas. Árvores com quase 50 metros de altura e com bases larguíssimas, sendo necessário, algumas vezes, mais d quinzer homes para "abraçá-las". Simplesmente espetaculares!

A mesma Seringueira, 'sangrada' continuamente há três gerações, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

A mesma Seringueira, "sangrada" continuamente há três gerações, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


As diversas comunidades dentro do parque organizaram trilhas dentro da mata, para levar turistas. São trilhas de 1 a 15 quilômetros, passando por diversos exemplares das árvores mais famosas e, com sorte, possibilitando a visão de algum animal. Algumas dessas trilhas, depois de anos de exploração turística, já se tornaram verdadeiras "avenidas" dentro da mata. Por isso, eu e a Ana optamos por uma trilha recentemente aberta, de pouco mais de 10 km, na comunidade de São Domingo, logo na entrada da FLONA. Relativamente "virgem", quando comparada às trilhas das outras comunidades, ela ainda é pouco mais do que um pequeno caminho zigezagueando entre árvores gigantescas e suas parentes menores, além de muitas seringueiras plantadas ali há gerações. O sentimento, ao se andar por ali, é realmente o de se estar na amazônia de verdade, aquela que todos queremos preservar.

Guarúba, uma das espécies de árvores gigantes na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Guarúba, uma das espécies de árvores gigantes na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


O nosso simpático guia foi o Francisco, que mora em São Domingo desde os três anos de idade. Aliás, desde a criação da FLONA, há um enorme controle para que ninguém mais "se mude" para lá. A intenção é que as comunidades não cresçam em população, para não sobrecarregar os recursos da floresta. A trilha começa ao lado do rio Tapajós, indo em direção ao interior da reserva. Logo começamos a subir e deixar o solo mais arenoso para trás. As árvores vão ficando cada vez maiores, principalmente quando entramos na área de floresta primária. Antes disso, passamos por seringueiras que estão sendo exploradas há gerações. Pode-se ver os sulcos simétricos por toda a parte mais baixa do troco. Que coisa incrível! A árvore plantada e explorada pelo seu avô e depois por seu pai é a mesma árvore que agora você ensina ao seu filho os segredos dessa arte da colheita do látex. É de tirar o chapéu!

'Cidade das Cigarras', na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

"Cidade das Cigarras", na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Outra coisa que logo chamou nossa atenção foram as "casas" de cigarra. São cones de barro que parecem brotar do chão, às dezenas. Em um local há tantos deles que é até conhecido como a "cidade das cigarras". Eu, que até ontem tinha visto tão poucos na minha vida, hoje aprendi de onde devem vir todas as cigarras que ouvimos por aí. Literalmente, milhares desses casulos, onde elas passam 98% da sua vida para, depois, ver o mundo e cantar para a sua amada os outros míseros 2%. Não é à tôa que cantam tão alto, tão pouco tempo para poder aproveitar o ar livre...

Carapanaúba, com o tronco cheio de 'veias', na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Carapanaúba, com o tronco cheio de "veias", na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Mas, como já disse antes, as árvores gigantes são a grande atração. Lindas! Imponentes! Não há como não parar e reverenciar cada uma delas. As Samaúmas, então, parecem verdadeiras catedrais dentro da mata, suas enormes raízes formando uma gigantesca base triangular, paredões de madeira bem à nossa frente. Uma exuberância!

Uma enorme Piquiá, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Uma enorme Piquiá, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


O acompanhamento de um guia é obrigatório. Nessa trilha que fizemos, então, para achar o pequeno caminho no meio da mata, ele é imprescindível. Mas, mais do que isto, é enriquecedor estar com eles, já que no caminho, vão nos ensinando os segredos da mata e das árvores. Folhas e raízes que são remédios, madeiras de lei para móveis, árvores perfeiras para canoas e por aí vai. Uma verdadeira aula!

Dois pés de Tauarí fundidos, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Dois pés de Tauarí fundidos, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Entre as coisas que vimos e aprendemos, uma incrível cena de uma batalha titânica! Uma árvore, a "abraçadeira", que vai crescendo sobre outra árvore e esmagando-a aos poucos, até matá-la e acabar por "incorporar" seu troco. Pois essa abraçadeira estava crescendo sobre uma árvore gigante. Uma batalha épica que já dura dezenas de anos mas que, aparentemente, vai terminar com a vitória da abraçadeira. Centímetro por centímetro, ela vai "conquistando" seu valente adversário.

A gigante Samaúma na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

A gigante Samaúma na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Quanto à fauna, fora os muitos insetos e os cantos de pássaros que estão ao nosso redor, vimos rastros de catetos e queixadas e a familiar algazarra dos bugios gritadores (macacos). Mas o ponto alto foi uma caninana, uma cobra, com quase três metros de comprimento. Aparentemente morta de velhice recentemente, pois não tinha nehum ferimento, ela estava no meio da trilha, toda enrolada. Uma visão e tanto!

Observando Caninana de quase três metros, morta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Observando Caninana de quase três metros, morta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Por falar em cobras, ao final do passeio, depois de observar uma preguiça bem no alto de uma árvore quase na frente da guarita, passamos na casa do coordenador da trilha de São Domingo, o Seu Luiz. Lá ele nos mostrou o couro de uma sucuri de cinco metros, morta há alguns meses. Que belo animal! Vivo, então, seria incrível. Que pena ter sido morto...

Couro de sucuri de cinco metros, na casa do Seu Luiz, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Couro de sucuri de cinco metros, na casa do Seu Luiz, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Já bem no final da tarde, iniciamos a viagem de volta, quase uma hora por caminhos de terra. Queríamos voltar para um banho noturno no Rio tapajós, bem em frente à nossa pousada e, mais tarde, a noite de Carimbó, que há tanto esperamos. E, amanhã cedo, transamazônica. Nossa... que programação!

Instruções para queimadas na área da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Instruções para queimadas na área da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Brasil, Pará, Alter do Chão, FLONA, São Domingo

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Comentários (1)

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  • 09/05/2011 | 17:10 por Suzana Gabriela

    Ola´!

    Também fiquei encantada com o tronco da samaúma.
    Magnifico!

    abraço

    Resposta:
    Olá Suzana
    É incrível estar lá, do lado dessas árvores gigantescas, naquela floresta tão cheia de vida. Essa trilha do São Domingo realmente é muito legal. Melhor ainda deve ser dormir lá mesmo, em uma rede num pequeno abrigo que tem lá em cima, sem paredes, teto de palha, no meio da floresta, quase do lado da Samaúma. Ainda vamos fazer isso!
    Abs

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